Como tem sido noticiado, e de acordo com a Estimativa Rápida do INE, o PIB registou uma taxa de variação nula (e em cadeia) no 2 º trimestre de 2023, após um crescimento de 1,6% no trimestre anterior
e apesar de um crescimento de 2,3% em termos homólogos. As expectativas de continuidade no crescimento saíram, assim, goradas. A principal causa, segundo o INE, terá sido o pior desempenho das exportações de bens, anulando o efeito de aceleração do consumo privado e resultando num crescimento nulo em cadeia no segundo trimestre do ano.
É verdade que Portugal registou um desempenho melhor do que a generalidade dos países com dados divulgados, uma vez que a média de crescimento na UE foi de 0,5%.
Contudo, Portugal está muito dependente dos países da UE e para esta não se prevê um futuro risonho nos próximos meses. Se por um lado, os dados do PIB da zona euro estabilizaram em cadeia, evitando a recessão técnica que se temia, os dados preliminares do 3º trimestre são pouco animadores. A debilidade da economia alemã e as incertezas criadas pelas eleições em Espanha, que poderá implicar muitos investimentos adiados, não favorecem Portugal.
Em Julho, a atividade na zona euro caiu ao ritmo mais rápido dos últimos oito meses, em que a indústria sofreu uma nova queda, para um mínimo de 38 meses, enquanto os serviços abrandaram fortemente. Para além disso, as perspetivas para o 2º semestre também se deterioraram de forma generalizada, sobretudo na diminuição de novas encomendas.
A nota positiva vai para a inflação que também em Portugal tende a abrandar. Em Junho, a inflação caiu em Portugal para 4,7% e agora para 4,3% em junho. (Fonte: Eurostat) Os preços da energia têm também estado em queda consecutiva, tendo passado de -4,4% em Março para -18,8% em Junho.
Outro dado menos positivo é a estimativa rápida do INE do Comércio Internacional de bens para o 2º trimestre de 2023, em que as exportações e as importações portuguesas terão diminuído 5,2% e 6,2%, respetivamente, em termos nominais, em relação ao mesmo período de 2022.
Em relação ao Setor, sabemos que o mercado automóvel tem estado em crescimento, uma vez que entre janeiro e julho de 2023 se verificou um aumento homólogo de 35,8%. (Fonte: ACAP, GEE). Esperamos, assim, que também os subsetores do Setor que dele dependem tenham beneficiado nas vendas deste 2º trimestre.
Segundo a AFIA, também as exportações de componentes automóveis estão a subir desde há treze meses consecutivos, verificando-se em maio deste ano crescimentos de mais de 20% nas exportações para Espanha, Alemanha e França.
Com os dados definitivos do Comércio Externo para o 2º trimestre de 2023, saberemos em breve até que ponto o Setor conseguiu contornar a desaceleração da economia europeia e dar, ou não continuidade à boa performance do 1º trimestre de 2023.
Newsletter de julho de 2023