A Comissão Europeia lançou o 2026 European Semester Autumn Package, definindo prioridades económicas e de emprego para 2026. O foco é reforçar competitividade, produtividade, inovação,

investimento e resiliência, mantendo equilíbrio das finanças públicas.
Foi também dada prioridade ao capital humano, competências técnicas, formação e resposta a carências de mão de obra.
Na conjuntura atual, o crescimento previsto da EU deverá rondar os 1,4% em 2025, com ligeira aceleração em 2026 e a inflação na Zona Euro deverá estabilizar perto dos 2%. O ambiente macroeconómico não antecipa choques severos, mas também não promete expansão rápida.
Em geral, a economia da EU revela resiliência, suportada por procura interna, investimento e melhoria da confiança. A Comissão relembrou os Desafios e Tensões da UE, e como as empresas devem transformá-los em oportunidades.
1. A UE continua a enfrentar custos elevados na energia e nas cadeias de abastecimento, agravados pela necessidade de acelerar a transição verde.
Pelo que as empresas europeias, portuguesas incluídas, deverão:
• Investir em eficiência energética, eletrificação de processos e gestão inteligente de energia.
• Aproveitar incentivos europeus e nacionais ligados a descarbonização, renováveis, armazenamento, hidrogénio e eficiência industrial.
• Reforçar contratos de fornecimento de longo prazo e estratégias de sourcing alternativo para reduzir instabilidade.
2. A modernização industrial e digitalização são também insuficientes, aqui as estratégias passam por
• Adoptar soluções de automação, IA, análise de dados e digital twin para ganhar produtividade.
• Modernizar operações industriais com tecnologias de indústria 4.0 — áreas com especial impacto para setores elétrico, eletrónico e energético.
• Explorar financiamento europeu para inovação, transformação digital e upgrade tecnológico
3. Faltam trabalhadores qualificados, sobretudo em áreas STEM, tecnologias digitais, engenharia e energias renováveis em toda a UE, e por isso estão a ser criados programas internos de requalificação técnica, formação contínua e atração de talento, que o Pacote reforça.
4. Incerteza geopolítica e necessidade de cadeias de abastecimento mais resilientes.
A UE continuará a tentar diversificar fornecedores e criar stocks estratégicos em componentes críticos (chips, eletrónica, equipamentos energéticos), bem como avaliar oportunidades de nearshoring ou friend-shoring dentro da UE.
5. Finanças públicas mais apertadas e maior escrutínio regulatório
Portugal é um dos países que tem conseguido manter disciplina orçamental. É, no entanto, na adaptação a requisitos regulatórios (energia, emissões, ecodesign, digital) - qua a ANIMEE divulga com regularidade - que tem de acelerar, para ganhar vantagem competitiva e poder participar em programas de cofinanciamento e tender europeus mais seletivos, mas orientados para inovação e indústria estratégica.
Newsletter novembro 2025