IEP- Instituto Eletrotécnico Português: uma instituição jovem com 40 anos

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O IEP resultou da conjugação de um conjunto de necessidades e de interesses da indústria elétrica e eletrónica nacional, no sentido de haver em Portugal resposta à problemática da normalização eletrotécnica. A criação do Instituto foi um processo longo, acabando por se concretizar em 28 de Setembro de 1981, no Porto. Para além da ANIMEE, teve como associados fundadores a EDP e os CTT, à época ambas empresas públicas.

Nos seus primeiros anos de existência, a atividade do IEP cingiu-se à normalização. No final de 1986, arranca a atividade de certificação de produtos, o que pôs desde logo em evidência a enorme lacuna existente no país em termos de laboratórios de ensaio independentes. Inicia-se então um ambicioso projeto para a criação de um conjunto de laboratórios de ensaio, o que viria a ter como consequência a mudança de instalações para Matosinhos, onde atualmente se localiza a sua sede.

Nesse novo local foram construídos diversos laboratórios, que viriam pouco tempo depois a obter as suas primeiras acreditações nacionais (à época, atribuídas pelo IPQ) e europeias (no âmbito dos acordos do CENELEC para a certificação de produtos). Portugal passava assim a dispor de uma infraestrutura moderna para ensaios de certificação de produtos elétricos, ao nível do que de melhor existia então na Europa.

O crescimento das atividades do IEP, o reconhecimento público da sua capacidade técnica e a evolução legislativa que entretanto ocorreu conduziram o Instituto a dar o grande passo seguinte e a ser reconhecido como Entidade Inspetora, primeiro para Elevadores e algum tempo depois para Instalações Elétricas.

Hoje em dia o IEP lidera um grupo que inclui, para além do próprio Instituto, diversas empresas de serviços, estando presente na generalidade dos setores tecnológicos. Da eletricidade ao gás e às energias renováveis, da metrologia ao ambiente, da saúde aos transportes, não existirá nenhum setor de atividade económica ao qual o IEP ou as suas participadas não disponibilizem serviços. Sempre com inovação, com competência e com qualidade.

Nas últimas 4 décadas, os desafios foram enormes, tanto a nível tecnológico como no que se refere à formação e à qualificação das pessoas. Passámos de um mercado fechado e tecnicamente pouco exigente para um mercado global e fortemente competitivo, no qual apenas as melhores empresas sobrevivem.

Isso notou-se claramente na evolução da nossa indústria. Há um número muito substancial de empresas que nasceram nestas últimas décadas, tendo uma vocação fortemente inovadora no plano tecnológico.

Muitas dessas empresas têm contado com o apoio do IEP para entrar nos mercados internacionais, assegurando que os produtos inovadores que oferecem ao mercado cumprem as normas técnicas de cada país ou bloco económico, normas essas que estão elas próprias em constante atualização e são cada vez mais exigentes.

Inovação e Formação Tecnológica

Nestes dois aspetos, o IEP tem tido uma atuação de relevo, oficialmente reconhecida: no caso da inovação, pela atribuição pela ANI do estatuto de Centro de Interface Tecnológica (CIT); no caso da formação, pela certificação pela DGERT. Dois reconhecimentos que se juntam a numerosas outras acreditações e certificações ao longo destes anos.

A vocação do IEP como entidade formadora fica bem patente nas suas muitas ofertas inovadoras, de que são exemplo as várias pós-graduações que tem organizado em colaboração com universidades e politécnicos, com um sucesso assinalável.

A inovação no setor elétrico e eletrónico é uma constante e é cada vez mais acelerada. Todas as grandes inovações tecnológicas dependem hoje da energia elétrica e dos outros ramos da eletrotecnia, como as telecomunicações, a informática ou a automação. E inovar é essencial para crescer e para continuar a competir. Para além da formação técnica, o IEP disponibiliza também apoio tecnológico ao desenvolvimento de novos produtos, desde a conceção dos produtos até à sua certificação, criando parcerias ganhadoras e duradouras.

É com esse espírito que o IEP participa ativamente em diversos “clusters” tecnológicos relevantes para o setor elétrico e eletrónico, de que o exemplo mais recente é o BATPOWER – Battery Cluster Portugal, do qual é associado fundador. As perspetivas atuais em setores como a mobilidade e as redes de energia apontam para que se verifique nos próximos anos um elevado crescimento das necessidades em dispositivos para armazenamento da energia elétrica, pelo que este é certamente um tema do maior interesse para a indústria elétrica.

Apoio à Internacionalização

A necessidade de entrar em novos mercados internacionais é cada vez mais sentida pelas empresas tecnológicas portuguesas. Todavia, as diferentes exigências que cada mercado coloca muitas vezes constituem barreiras técnicas à entrada dos produtos nesses mercados.

A incorporação do conhecimento mais atualizado sobre as normas aplicáveis, logo desde a fase de conceção dos produtos elétricos e eletrónicos, permite por isso encurtar significativamente o “time to market” e evitar entraves no acesso aos diferentes mercados.

O IEP possui grande experiência a apoiar os fabricantes na exportação para os mais diversos países, a que se junta o seu acesso privilegiado aos organismos de normalização de todos os países, são uma mais-valia inequívoca para a indústria eletrotécnica nacional. Os diversos reconhecimentos internacionais que os laboratórios do IEP possuem permitem que os produtos elétricos fabricados em Portugal sejam ensaiados no nosso país, de acordo com as normas dos países a que se destinam, sendo os respetivos relatórios e certificados aceites na generalidade dos mercados mundiais por via dos acordos de reconhecimento mútuo de que o IEP faz parte.

Desafios Futuros

É obviamente impossível prevermos como vai ser o mundo dentro de 40 anos. Mas quaisquer que sejam as tendências tecnológicas da indústria e dos mercados, vamos continuar a trabalhar todos os dias para que o IEP continue a ser o parceiro preferencial das empresas nacionais do setor elétrico e eletrónico, tanto na avaliação da conformidade dos seus produtos como na inovação tecnológica.

Os desafios que se perspetivam são enormes e resultam, entre muitos outros vetores, da crescente consciencialização dos cidadãos em geral para o ambiente, para a sustentabilidade das fontes de energia e dos recursos materiais, para a eficiência energética dos produtos e para a segurança nas suas diversas vertentes, em particular no que se refere à cibersegurança.

O futuro do IEP passará assim por manter o seu rumo de apoio à indústria e quer ser, cada vez mais, o parceiro que assegura às empresas nacionais, e em particular às associadas da ANIMEE, um apoio tecnológico de excelência.

 

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