A União Europeia está a avançar com a criação das chamadas “European Business Wallets”(Carteiras Empresariais Europeias), uma nova infraestrutura digital destinada a simplificar

a interação das empresas com administrações públicas e parceiros em todo o mercado único europeu.
A iniciativa integra o novo pacote digital da Comissão Europeia e pretende reduzir custos administrativos, acelerar processos e facilitar operações transfronteiriças, especialmente para PME.
Na prática, trata-se de uma carteira digital empresarial que permitirá às empresas:
- identificar-se digitalmente em qualquer Estado-Membro;
- partilhar documentos certificados;
- assinar e selar documentos com validade jurídica;
- comprovar licenças, certificações e poderes de representação;
- interagir digitalmente com autoridades públicas e parceiros.
A lógica é semelhante à futura carteira europeia de identidade digital para cidadãos, mas aplicada às empresas.
Na prática, a carteira funcionará sobretudo como:
- camada de interoperabilidade europeia;
- mecanismo de autenticação e troca segura de informação;
- simplificação documental.
Neste momento, as European Business Wallets ainda se encontram em fase legislativa. Caso o regulamento seja aprovado os Estados-Membros terão cerca de 24 meses para garantir aceitação pelas entidades públicas.
Portugal posicionou-se já na linha da frente, tendo lançado em 2026 uma carteira empresarial digital nacional integrada na app gov.pt.
Vantagens para as PME portuguesas
Para PME industriais, tecnológicas e exportadoras, os potenciais benefícios são relevantes, sobretudo em operações internacionais e processos administrativos repetitivos.
A possibilidade de uma empresa submeter informação uma única vez e reutilizá-la em diferentes contextos administrativos é um dos pilares mais destacados da iniciativa, em vez de repeti-la em diferenetes plataformas.
Mas irá realmente reduzir a carga administrativa?
Essa é precisamente uma das grandes questões em debate.
Embora a Comissão Europeia apresente a medida como instrumento de simplificação, várias entidades alertam para o risco de:
- coexistência de sistemas nacionais e europeus;
- duplicação de canais de reporte;
- novas obrigações digitais paralelas;
- custos de adaptação tecnológica;
- complexidade acrescida para microempresas.
Ou seja: o sucesso dependerá menos da tecnologia em si e mais da capacidade dos Estados-Membros eliminarem efetivamente redundâncias administrativas.
E as obrigações nacionais, desaparecem?
Não. Pelo menos numa fase inicial, o mais provável é existir integração gradual e coexistência entre sistemas.
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Newsletter 15/05/2026

