O futuro Acordo de Livre Comércio entre a União Europeia e a Índia poderá representar uma das mais relevantes oportunidades de internacionalização da próxima década

para empresas portuguesas dos setores elétrico, eletrónico, energético e industrial.
Com entrada em vigor prevista para meados de 2027, o acordo prevê a eliminação ou redução tarifária em cerca de 96,6% das exportações europeias para a Índia, incluindo maquinaria, equipamentos elétricos, componentes industriais, produtos químicos e diversos bens tecnológicos.
A Índia, como é sabido, combina vários fatores estratégicos: forte crescimento económico, aposta industrial (“Make in India”), expansão da infraestrutura energética, digitalização acelerada e procura crescente de tecnologia europeia.
O relatório da AICEP destaca precisamente que a Índia apresenta “forte dinâmica industrial, digital e tecnológica”, criando oportunidades para empresas portuguesas ligadas à inovação, engenharia, energias renováveis e bens industriais.
Ao mesmo tempo, o reposicionamento geopolítico global e a estratégia “China plus one” estão a levar grupos industriais internacionais a diversificarem fornecedores e parceiros tecnológicos — um movimento que poderá beneficiar empresas portuguesas integradas em cadeias de valor europeias.
Entre os grupos industriais mais favorecidos pelo acordo encontram-se precisamente as máquinas e equipamentos elétricos, atualmente sujeitos a tarifas indianas que podem atingir 44%, mas que tenderão para 0% de forma faseada ao longo de cinco a dez anos.
Também os serviços digitais, tecnológicos e de engenharia poderão beneficiar da maior liberalização prevista no acordo, sobretudo em áreas associadas à transformação digital, automação industrial, smart manufacturing e infraestruturas energéticas.
A expansão da rede elétrica, da mobilidade elétrica, do armazenamento de energia e das energias renováveis na Índia poderá abrir múlitplas oportunidades para empresas portuguesas fornecedoras de soluções elétricas equipamentos industriais, engenharia energética, eletrónica de potência, sistemas de automação e tecnologias de eficiência energética.
A oportunidade, no entanto, exige preparação estratégica. O acordo não elimina todos os desafios e o mercado indiano continuará a exigir:
* adaptação regulamentar;
* certificações locais;
* conhecimento das dinâmicas estaduais;
* parceiros locais sólidos;
* capacidade de investimento comercial e técnico.
A AICEP alerta que o impacto dependerá sobretudo da capacidade das empresas portuguesas se posicionarem num mercado complexo e altamente competitivo.
E como tal, ser vista como oportunidade estratégica de posicionamento de longo prazo, para no futuro beneficiar de um dos mercados com maior potencial de crescimento mundial.
Newsletter 15/05/2026

